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Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

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Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por lucasao em 28/12/2015, 16:02

Li recentemente o "Como vencer a guerra cultural: um plano de batalha cristão para uma sociedade em crise", do filósofo e apologeta católico Peter Kreeft. O livro traz um alerta para todos os cristãos (especialmente os católicos); a recordação de uma verdade fundamental: temos um Inimigo e estamos em guerra, em uma jihad! Uma guerra que se origina no plano espiritual e é travada no campo de batalha cultural. Basicamente, é uma exortação para o dever cristão da santidade. O autor aborda também, dentre outros temas, a decadência moral da Civilização Ocidental (em especial, da sociedade americana), o aborto, a revolução sexual, o relativismo moral, o politicamente correto, o controle da mídia e a manipulação da linguagem.

A obra é estruturada em nove capítulos (que são os nove passos do "plano de batalha"). No capítulo quatro, Kreeft apresenta o "princípio fundamental de todas as guerras culturais", que julguei ser interessante trazê-lo para cá, já que o tema do declínio da civilização ocidental e seus efeitos bizarros — trazidos até nós com algum prazer mórbido pelo Joe — são recorrentes na ESA. Esse princípio, o qual o autor chama de Lei de Colson, é um paradigma simples e interessante para analisarmos o processo evolutivo de sociedades (sua ascensão e queda) e o surgimento de estados totalitários.

Toda sociedade é uma "comum unidade" de muitos indivíduos e subgrupos unidos em um trabalho comum, por um propósito comum e compartilhando um valor comum. Uma comunidade se estrutura com a ordem e se desintegra com o caos. Para evitar o caos, a comunidade dispõe de duas armas: a consciência (lei natural, obedecida por livre vontade) e a "polícia" (lei positiva, imposta desde fora e obedecida pelo medo punição). Ambas se complementam, mas a necessidade de uma diminui na medida em que a oferta da outra aumenta. A Lei de Colson basicamente prediz que a longevidade de uma comunidade é proporcional à sua moralidade e o corolário disso é que, em uma sociedade moralmente decadente (com consciências fracas), o preço para manter da ordem e evitar sua desintegração (caos) é a perda da liberdade.

Enfim, segue o capítulo (alguns trechos foram suprimidos):

Spoiler:
A quarta coisa de que precisamos saber para vencer a guerra cultural é a lei fundamental de todas as guerras culturais. Eu a chamo de Lei de Colson, pois foi com Chuck Colson que eu aprendi a respeito dela, embora eu tenha esquecido o capítulo e o verso.

É uma das leis mais fundamentais da história humana. Ela sempre foi verdadeira, e sempre será verdadeira, a menos que a própria natureza humana mude em sua essência.

Poderia ser também chamada de Lei dos Quatro Cs: Community, Chaos, Conscience e Cops (Comunidade, Caos, Consciência, Policiais). É mais fácil memorizá-lo visualmente, pelo quadrado das oposições ou quadrado lógico:



Comunidade e Caos são opostos "verticais" do bem versus mal, enquanto Policiais e Consciência são opostos "horizontais" de dois bens. Comunidade e Caos são forças inerentemente opostas, como exércitos em guerra. Policiais e Consciência são duas armas ou estratégias possíveis do exército de defesa (Comunidade) contra o exército de ataque (Caos). Os dois pares de opostos são inversamente proporcionais, mas opostos "verticais" necessariamente se opõem (Caos e Comunidade destroem um ao outro), enquanto que os opostos "horizontais" não. Na verdade, policiais e consciência são muitas vezes complementares. Mas a necessidade de um deles diminui na medida em que a oferta do outro aumenta: quanto mais consciência tem uma comunidade, menos policiais ela precisa e quanto mais policiais ela tem, menos ela precisa contar com a consciência.

O caos é para uma comunidade, o que a doença é para um corpo (pois o corpo político também é um corpo: sua unidade é orgânica, em vez de artificial). A comunidade integra, o caos desintegra. A comunidade é coerência, o caos é incoerência. A comunidade é construção, o caos é desconstrução (uma filosofia inteira, nos dias hoje, se chama orgulhosamente pelo mesmo nome desse processo).

[...] Vamos fazer uma analogia do nosso corpo social com nosso corpo individual. O corpo humano tem duas defesas contra as doenças: internas e externas, natural e artificial, preventiva ou corretiva. Se ele perde sua imunidade interna à doença, necessita de medicamentos, cirurgia ou muletas para ampará-lo desde fora, para compensar sua desintegração interna.

[...] E os corpos sociais, assim como os individuais precisam de defesas. Assim como o corpo físico, o corpo político tem duas defesas contra o caos: o escudo externo é a "lei positiva", isto é, a lei humana, que é fisicamente imposta pelos policiais. A defesa interna é a "lei natural", a lei moral, não feita pelo homem, mas por ele descoberta, que é imposta espiritualmente pela consciência.

A defesa interna é feita de liberdade: a defesa externa é feita de força. A defesa interna é o amor - o amor ao bem. A defesa externa é o medo - o medo da punição. E o amor é livre, enquanto o medo não é.

A Lei de Colson dita que uma comunidade com menos "policiais internos" precisa de mais "policiais externos". [...] As pedras fundamentais de uma democracia são consciências. [...] Mas o paradoxo da democracia é que embora ela seja fundada sobre a premissa de sólidas consciências morais, ela tende a produzir consciências morais fracas, pela sua própria permissividade. A maximização da liberdade na democracia (no sentido de baixo policiamento) depende de sua submissão voluntária à consciência, porém essa liberdade de não ter policiamento nos deixa tentados a nos livrarmos da consciência também. E então, paradoxalmente, este excesso de liberdade externa, de liberdade física, requer mais policiamento para evitar o caos interno e espiritual (que resulta no caos público externo, mais cedo ou mais tarde). Assim, temos mais policiamento e menos liberdade, pois os dois tipos de liberdade - de consciência e de policiamento - também são inversamente proporcionais. Quanto mais houver de um, menos você precisa do outro (Pense bem nisso!)

A Lei de Colson afirma que as únicas alternativas à consciência são a polícia ou o caos. Se a defesa interna é diminuída, o escudo externo deve ser aumentado para prevenir o caos. Portanto, uma democracia que perde sua consciência se tornará, necessariamente, um totalitarismo.

Isso tudo deveria ser óbvio, mas parece chocante à maioria dos americanos. E, esse fato em si é chocante.

A ideia de os Estados Unidos se tornarem totalitários parecerá absurda à maioria dos americanos, mas isso é porque eles esquecem que existe tanto o "totalitarismo duro", bem como o que Tocqueville chamou de "totalitarismo suave", de que existe um Admirável Mundo Novo e um 1984. A ditadura do que Rousseau chamou "a vontade geral", isto é, a opinião popular, pode ser tão totalitária quanto a ditadura de qualquer rei ou tirano e muito mais difícil de derrubar, especialmente quando manipulada por uma mídia poderosa e ideologicamente unida. A mídia é mais poderosa do que os militares e a caneta é, sem dúvida, mais forte que a espada.

Os policiais em um "totalitarismo suave" empunham canetas em vez de espadas - por exemplo, códigos de discurso que veem "hate speech", "extremistas de direita" e "homofobia" em mais lugares do que os inquisidores medievais viam demônios e bruxas.

A Lei de Colson é baseada na observação da história. Não é ideológica e, portanto, não pressupõe nem conservadorismo, nem esquerdismo. Os esquerdistas e os conservadores discordam apenas nos acidentes da Lei de Colson e não na essência.

[...] A Lei de Colson é mais ciência do que sermão, mais empírica que ideológica. Podemos ver a lei funcionando na história de qualquer corpo, individual ou coletivo e nós podemos fazer previsões com base nessa lei. Qualquer corpo humano individual que perde seu sistema imunológico morrerá, a não ser que seja apoiado por um intenso socorro artificial externo: pílulas, cirurgias, próteses. E mesmo assim, é só uma questão de tempo até que morra. O mesmo vale para os corpos sociais: os estados policiais sem consciências são frágeis. O "Reich de Mil Anos" durou doze anos. As sociedades que mais duraram na história eram todas altamente moralistas, incluindo a Confucionista (mais de dois mil e cem anos), a Islâmica (aproximadamente mil e quatrocentos anos) e a Romana (cerca de setecentos anos). A ordem moral de maior duração na história foi a da Lei de Moisés: ela estruturou a vida judaica e depois a vida cristã por três mil e quinhentos anos (embora não como uma sociedade civil contínua).

A sociedade confucionista, que manteve unida a maior nação do mundo pelo maior tempo do mundo, foi derrubada desde fora pelo maior assassino em massa da história: Mao Tsé-Tung. Roma começou como uma república moralista e transformou-se em um império amoral, que se tornou um estado policial totalitário, cuja queda se deu desde dentro. A sociedade islâmica ainda está crescendo, especialmente em localidades cristãs. O cristianismo ainda está crescendo em todos os lugares, exceto nas localidades cristãs, mas especialmente em lugares anticristãos, como o Sudão e a China. A perseguição multiplica os cristãos como se fosse um pisão em uma gota de mercúrio.

A Lei de Colson prediz que a longevidade de uma comunidade é proporcional à sua moralidade. E de certa forma, à sua religião, pois ainda não existiu sociedade que tenha construído, com êxito, o seu conhecimento da moralidade em qualquer outra base que não tenha sido a religião. Teoricamente, a lei moral natural pode ser conhecida apenas pela razão humana natural, sem conhecimento da lei divina sobrenaturalmente revelada. Mas, na prática, isso é muito raro, nunca houve uma sociedade inteira de Platões e Aristóteles. É um fato óbvio e sólido que a religião sempre foi a fonte primária do conhecimento que a humanidade tem da moralidade. Esse fato é tão óbvio que nenhuma época jamais o ignorou, exceto a nossa.

Mesmo que a religião explícita não seja a fonte da existência da moralidade, ela certamente tem sido a fonte do conhecimento e do ensinamento da moralidade. Nenhuma sociedade oficialmente secular jamais sobreviveu por mais de setenta e dois anos, sendo a URSS o caso de teste mais claro da história. Se os resultados desse teste não são claros, então nada mais na história é claro.

[...] A Civilização Ocidental parece ter contraído AIDS moral. [...] As doenças do espírito, assim como as do corpo, podem ser curadas — mas somente se forem diagnosticadas.

[...] Quando procuramos o que origina a continuidade da doença [...] percebemos que ela vem principalmente dos médicos, dos "experts", os especialistas sociais. Há uma dupla ironia que é terrível nesse ponto: assim como 99 por cento dos assassinatos violentos nos EUA são cometidos, legalmente, por médicos que se tornaram hipócritas, em vez de Hipocráticos, assim também, a principal causa do assassinato da moralidade são os nossos moralistas, nossos moldadores de mentes, nossos educadores, tanto formais (nos colégios e universidades) quanto informais (na mídia). Eles, por suas vezes, foram treinados por nossos profetas e sacerdotes superiores, nossos psicólogos e sociólogos, que compõem o segmento mais antirreligioso e relativista da nossa sociedade. [...] Em seu conjunto, nossa mídia "moldadora de mentes" constitui uma religião não-organizada de missionários que estão evangelizando pessoas religiosas [...]

***
A partir desse ponto o autor começa a explorar a "cura" para essa doença.
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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por Joe em 28/12/2015, 22:08

Interessante.

Só achei os termos consciência e comunidade meio vagos.

Digo isso pq qualquer progressista acha que tem "consciência" e está fazendo o "bem" para a "comunidade".

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por Rant Casey em 28/12/2015, 22:34

Joe escreveu:Interessante.

Só achei os termos consciência e comunidade meio vagos.

Digo isso pq qualquer progressista acha que tem "consciência" e está fazendo o "bem" para a "comunidade".

No contexto me parece que "consciência" significa integração e proatividade em torno da comunidade. Essencialmente o oposto de atividade antissocial como crime. Daí a menor necessidade de policiamento mas também de intervenção estatal de modo geral.

Ele decisivamente fala de relações do dia a dia. Como mutirões, patrulhas comunitárias (estranho pra nós mas os americanos têm isso...), bombeiros voluntários, etc.

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por White Witch em 28/12/2015, 22:37

Nada novo é a milhionésia teria de pano de fundo cristão, reciclando a coisa de que é necessário "conquistar almas" primeiro. Algo mais prática pra funcionar que é bom, nada.

1. Um "salvador" conhece a verdade.
2. Ele passa essa verdade a discípulos.
3. Os discípulos se espalharão pelo mundo ganhando almas.
4. Assim o reino dos céus estará garantido.
5. A comunidade do bem estará protegida do "fim do mundo".


Última edição por White Witch em 31/12/2015, 23:55, editado 1 vez(es)

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por White Witch em 28/12/2015, 22:41

Prefiro o evangelho comunista:

Ao invés de almas, se deve colher corpos, seja cadáveres dos inimigos ou soldados para a causa.

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por lucasao em 29/12/2015, 21:23

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por Ashura em 29/12/2015, 21:35

Comunistas só são durões quando conseguem comunizar o exército. Quando o exército ultimamente é majoritariamente anti-comunista a choradeira e baitolagem deles não tem fim. Qualquer um é durão com costas quentes.

...

Se você jogasse o molusco na arena, mostrasse os leões acorrentados e mandasse rejeitar o comunismo e jogar incenso a César, ele não só faria isso mas também lhe beijaria os pés.

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In this battle you must stand firm and have no fear, no thought of flight, but be inspired to resist with ever more herculean strenght. Animals may run away from animals. But you are men, men of stout heart, and you will hold at bay these dumb brutes, thrusting your spears and swords into them, so that they will know that they are fighting not against their own kind but against the masters of animals.

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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

Mensagem por Kublai Khan em 31/12/2015, 12:51

Ashura escreveu:Comunistas só são durões quando conseguem comunizar o exército. Quando o exército ultimamente é majoritariamente anti-comunista a choradeira e baitolagem deles não tem fim. Qualquer um é durão com costas quentes.

...

Se você jogasse o molusco na arena, mostrasse os leões acorrentados e mandasse rejeitar o comunismo e jogar incenso a César, ele não só faria isso mas também lhe beijaria os pés.

Nem precisa tudo isso, o molusco já negou três vezes seu comunismo faz tempo e por grana. Ele nunca teria sido eleito, se não tivesse aceitado chupar o pau do capetalismo.
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Re: Lei do Colson: o princípio fundamental das guerras culturais

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